quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

8a BIENAL INTERNACIONAL DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO


Exposição da França

por Bianca Forti, Irene Naput e Roberta Abe














O espaço de exposição dos projetos franceses está bem montado e interativo. É composto por um grande painel com uma composição de frases e fotos de projetos construídos, conceituando a atual arquitetura francesa (diversidade social, novas atitudes, mudança de situação, contexto, novos usos, novos espaços etc.); televisores mostrando os projetos não construídos e as respectivas maquetes. O público pode interagir com as maquetes, girando-as conforme a vista desejada. 

 












Destacamos o projeto de uma escola de tetos verdes em Revin, França (Off Architecture em associação com Duncan Lewis Scape Architecture e Jeans Giacinto). Trata-se de um edifício terraceado coberto por teto verde, acompanhando a inclinação do terreno e praticamente sumindo na paisagem, com suas formas orgânicas e curvas. Cada nível terraceado corresponde a um andar. Possui grandes aberturas elevadas para captar a luz natural. A cobertura é levemente ondulada, parecendo mais natural. O interior do edifício possui amplos espaços de circulação e convívio, conseqüência dos diversos níveis. No nível mais baixo do terreno encontram-se as quadras e espaços esportivos ao ar livre. 
















O projeto havia sido utilizado pelo grupo como referência para o desenho de uma praça que termina em um clube e também para o projeto dos edifícios de hotel e de apoio ao clube; qual foi nossa surpresa ao vê-lo exposto na bienal.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Villa VPRO



Por Elena Furlan

A obra é a sede para o novo escritório de mídia, TV e rádio e por isso também envolve arte, cultura, sociedade, ciência e tecnologia, é pensando nisso que MVRDV consegue atender perfeitamente as necessidades de um local de trabalho diferenciado e agradável.

As formas curvadas de concreto do Villa VPRO são visíveis de longe, e referência de fachada entre as obras mais conceituadas da Holanda. O fechamento do prédio conta com diferentes tipos de materiais, formas e cores, ora de vidro translúcido, ora com placa de metal perfurada, ora material fosco e bloqueado o sol. A escolha do posicionamento e a particularidade de cada fechamento correspondem às propostas de atividade interna, ou seja, a intenção dessa fachada é que a estrutura organizacional bem como o cotidiano interno pudesse mesmo transparecer para o ambiente externo.
Esse edifício ganha muito em iluminação natural com a criação de pátios e salas internas com aberturas descontraídas e contínuas que atravessam de um extremo ao outro do prédio, além de contemplar muitas varandas, e até um telhado verde acessível. O interior se assemelha a um labirinto de espaços experimentais, os grandes corredores além de garantir a circulação, são apoios para serviços da empresa, pontos de trabalho e múltiplos espaços de convivências evitando hierarquias desnecessárias entre os trabalhadores e usuários do prédio.
É a referência para um ambiente de trabalho agradável, combina perfeitamente insolação e ventilação com vistas diferenciadas de cada ambiente e com espaços descontraídos criando pontos de encontros e convivência.

Ficha técnica:

Obra: Villa VPRO
Ano: 1997
Local: Hilversum, Holanda
Área construída: 10.000m²

Sede da união de moradores e do comércio de Paraisópolis (UMCP)




Por Elena Furlan

O projeto tem como objetivo a criação de espaços para atividades sociais e coletivas da União de Moradores e do Comércio de Paraisópolis, ele resolve com a construção de uma sede estruturada em áreas verdes, contando com área esportiva, anfiteatro e horta comunitária.

O interessante nessa praça é o trabalho com modelagem paramétrica, isto é, parte-se de uma modelagem geométrica virtual, essa base é determinada por parâmetros a que se atribuem valores variáveis. Dessa forma, a estrutura é uma composição única, que pode ser adaptada a topografia, e se auto-reorganiza com a mudança de um único jardim ou platô, por exemplo. O programa utilizado é o software Generative Components da Bentley, utilizado também pelo escritório de Norman Foster. Esse programa analisa o sombreamento, iluminação, acústica, ventilação, conforto térmico, e alguns conceitos ambientais.
A implantação da praça faz conexão entre dois planos urbanos distintos, no extremo mais alto, conversa com as torres de condomínios arborizadas e do outro extremo, de menor altitude, a populosa favela de São Paulo.
Esse espaço atende mais de cinco mil pessoas por mês em projetos sociais como alfabetização de adultos, cursos pré-vestibular e de capacitação profissional. Nele, são previstas salas de uso flexível, além da área esportiva sombreada, anfiteatro e horta comunitária. Portanto, assegura os direitos dos indivíduos e da comunidade pelo atendimento ao programa de necessidades local, escolha da implantação do projeto, e garante assim a melhoria de condições de vida para a comunidade local.

Ficha técnica:
Obra: Sede da união de moradores e do comércio de Paraisópolis (UMCP)

Arquitetura: SUBdV – Franklin Lee e Anne Save de Beaurecueil; e Hart Marlow
Local: São Paulo, SP

Universidade Feminina Ewha


 

Por Elena Furlan

Esse projeto enterra o instituto de ensino superior para mulheres um volume de 350 000 m² para abrigar 22 mil estudantes, num parque conectado a malha urbana. As árvores, flores e gramados no parque remetem a origem do instituto, que para instruir as mulheres e libertá-las da servidão doméstica, inicialmente, Mary Scranton fundou em sua casa a Ewha haktang (Academia Botão de Pêra).

Neste terreno de 19m² o volume subterrâneo,conta com um rasgo central no terreno que se estende por 250 m de comprimento e 15 m de largura. É um exemplo de iluminação e ventilação natural, graças a encostas de vidro encaixilhado em alumínio nas fachadas da instituição voltadas para esse vazio central. Não há nesta obra a sensação de enclausuramento freqüente em pavimentos subterrâneos, pois a claridade, a criatividade da organização dos espaços, e sua vastidão e circulação convida e atrai os usuários para um espaço aconchegante.

Interessante que Perrault cosidera e compara esse vale como se fosse uma nova Champs Elysées, ou seja, é um lugar de trajetórias, de convivência para troca de idéias,contando com teatro ao ar livre, praça e área de exposições, além da escadaria em uma das extremidades, que serve de uma bancada informal para jovens.

Importante ressaltar que é um exemplo de um campus integrado com a rede urbana local. Dessa forma, mais um motivo de enriquecimento e diversidade para a cidade, em torno desse centro surge cinemas, shopping centers, cafés, discotecas, lan houses, entre outros. Os ambientes mais coletivos e de encontros são localizados nos andares térreos e próximos ao intenso tráfego de pessoas, já nos pavimentos superiores estão localizados as salas de aula e estudo, assim garante um silêncio e uma concentração maior, bem como a iluminação natural mais intensa. Esse projeto torna a vida estudantil uma experiência muito mais agradável.


Ficha técnica:
Obra: Universidade Feminina Ewha

Arquitetura: Dominique Perrault Architecture
Paisagismo: CnK Associates
Local: Seul, Coréia do Sul
Ano: 2001/2007
Área construída: 70 000 m²
Volume construído: 350 000 m²
Área de paisagismo: 31 000m²

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Oslo Opera House

Por Marcella Rondineli



   A Ópera de Oslo, na Noruega, projeto do escritório Snohetta, é o projeto vencedor do Prêmio Mies van der Rohe de 2009. O projeto, resultado de um concurso internacional realizado em 2000, é um edifício custou 750 milhões de dólares (cerca de 20.000 dólares / m2).

   A Ópera monumental envolve os visitantes não apenas como objeto arquitetônico, mas também como proposta urbanística, tornando-se parte da paisagem na qual se pode passear: o público se apropria das coberturas de mármore branco, como um grande tapete horizontal com superfícies inclinadas.
   O programa da ópera inclui áreas técnicas para 600 funcionários, oficinas, salas de ensaio, academia de balé, escritórios administrativos, e duas salas de espetáculos. Os espaços são bem iluminados e ventilados, incluindo grandes panos de vidro e jardins internos em algumas áreas.
   Os materiais tem atenção especial nos projetos do Snøhetta, são eles que definem os elementos do espaço. Na ópera três materiais básicos foram utilizados : pedra branca para os planos horizontais, madeira para a “parede de ondas” interna e metal para os elementos da “fábrica”(a parte técnica e administrativa da ópera). Cada elemento conceitual do projeto é associado a um tipo de material, e um quarto elemento, o vidro, é utilizado como articulação entre os demais, revelando o interior do edifício.
   A Ópera de Oslo é o principal elemento do projeto de transformação recente da cidade. Em 2010 a malha viária que a margeia será substituída por um túnel, permitindo maior integração entre a cidade e o complexo cultural.


   Ficha Técnica:


   Architetos: Snohetta
   Local: Bjørvika, Oslo, Noruega
   Cliente: Ministério para Assuntos Culturais e Religiosos
   Área: 38.500sm2
   Início da Construção: 2004
   Conclusão: 2007
   Estruturas: Reinertsen Engineering ANS
   Projeto Cenotécnico: Theatre Project Consultants

   Acústica: Brekke Strand Akustikk, Arup Acoustic

   Artistas: Kristian Blystad, Kalle Grude, Jorunn Sannes, Astrid Løvaas og Kirsten Wagle

   Fotografia: Snohetta, Nina Reistad, Statsbygg, Erik Berg & Nicolas Buisson


   Fonte: Architectural Record, agosto de 2008 – páginas 84 a 92

   “Norwegian Cool: The National Opera House by Snohetta

domingo, 8 de novembro de 2009

Laboratório de Inovação (SILab)




Por Carla Rossitto


O Laboratório de Inovação (SILab) em Delft, Holanda é uma iniciativa de Thales Nederland B.V. e trata-se da continuidade da pesquisa iníciada em 2004, com colaboração da University of Twente,  que explora soluções inovadoras de complexos edificados no tocante a ordem pública e segurança, onde várias partes estão envolvidas. SILab pode ser visto como uma panela de pressão controlada por computadores onde agentes sociais podem encontrar novas soluções de um modo segmentado e eficiente, com auxilio de tecnologia, simulação e visualização.
O ponto de partida para o projeto do laboratório foi aplicar a tecnologia no espaço de forma a acomodar os usuários em um ambiente adaptável e aconchegante. O layout básico pode ser visto como um organismo vivo com coração, veias e cérebro. A unidade do servidor representa o coração, destacada em uma edificação vermelha próxima à entrada. Dela partem as fiações e redes, funcionando como veias que levam as informações e dados processados aos ambiente de trabalho enclausurados, salas de reunião onde a criação é estimulada por jogos em grupos e onde a empresa desenvolve suas principais idéias, ou seja, o cérebro.
Para estimular a coletividade, os espaços de trabalho fechados recebem cada um sua cor ou formato distintos, como se fossem pequenos cubos recortados de diferentes maneiras, identificando-os individualmente, e destacado-os do ambiente externo contruído da empresa -- um grande galpão de estrutura e instalações aparentes onde o restante das atividadesempresariais acontecem. Dessa forma, solucionam-se também os problemas de acústica, fiação e sensação de enclausuramento. Os recortes e aberturas dos cubos permitem que os participantes dos 'jogos' que ali acorrem, estejam em contato direto com o ambiente de trabalho aberto, chamado de laboratório. Esse espaço, além de funcionar como escritório de trabalho,  é também utilizado como uma área de realidade virtual, por isso, as unidades individuais de cubos podem ser movidas para os diferentes lugares do galpão afim de criar ambientes adaptáveis as circunstâncias para esta prática.


Ficha técnica:
Arquitetos: Kingma Roorda Architecten
Equipe de projeto: Niels Van Ham, Frank Velthuis
Area Construída: 450 m²
Localização: Delft, Holanda
Ano: 2008
Tema: Laboratórios de pesquisa projetados como organismos vivos
Referência: Revista Domus, n. 925, Maio 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Parque da Juventude




Por Carla Rossitto


Construído em um vazio urbano com prédios abandonados que outrora fora a maior prisão da América Latina, o Paque da Juventude no Carandiru tem um significado simbólico audacioso.
Com uma área de aproximadamente 240 000m², a arquitetura do parque é baseada em três fases que correspondem a três diferentes espaços definidores da paisagem. O Parque Esportivo - verdadeiro eixo conector que percorre todo o parque - é estruturado por um caminho de pedestres demarcado com uma vegetacao nativa que interliga a implantação de dez quadras poliesportivas próximas à entrada do parque e pistas de skate. Uma rota alternativa na forma de alameda percorre as áreas mais íntimas e sombreadas, levando à área de lazer infantil.
Os 90 000m² do Parque Central, caracteriza-se pelo premiado projeto paisagístico da arquiteta Rosa Grena Kliass integrado de forma ousada às construções inacabadas das unidades de detenção. A mata nativa foi mantida e restaurada e as carcaças das construções existentes usadas como bases para a exploração de vistas da nova paisagem verde e da cidade. Além disso, uma passarela conectora entre duas paredes flutua a 6.5m do chão e proporciona uma visão de cerca de 300m de distância. No nível do chão, um deck elevado em 30cm oferece um caminho adicional pelo complexo de estruturas abandonadas.
O Parque Institucional, que é o de maior caráter metropolitano, será o próximo e o último estágio de construção, transformando os pavilhões existentes em locais para atividades educacionais, como centro de inclusão digital e escola técnica. Além disso, estão também previstos no projeto um Centro de Saúde e um Centro Cultural.




Ficha técnica:
Arquitetos: Rosa Grena Kliass entro outros
Localização: São Paulo
Tema: Parque, revitalização de vazio urbano, edifícios institucionais, etapas de desenvolvimento do projeto
Referência: Revista l'arquitecture d'aujourd'hui, 'Brésil', 2005 n. 359